Quando mamilos chocam mais que as armas. Leia e entenda o que queremos dizer

Não eram ainda nem 10h da manhã de quinta-feira (29), em Los Angeles, quando a polêmica do dia começou a pegar fogo.

De acordo com a colunista do jornal “NY Post”, Emily Smith, a Motion Picture Association of America (MPAA), associação responsável pela (auto)regulamentação do cinema nos Estados Unidos, censurou um pôster do novo “Sin City 2: A Dama Fatal”, de Frank Miller e Robert Rodriguez. O motivo dado para a desaprovação do cartaz estrelado pela atriz Eva Green foi “a nudez – curva abaixo dos seios e o círculo dos mamilos/aréolas escuro visível através da camisola.”

Quando mamilos chocam mais que as armas...

Atriz Eva Green na imagem do poster

No papel de Ava Lord, a linda atriz francesa segura uma arma na mão e, na contraluz, posa sensualmente com uma camisola semitransparente. Essa é a imagem vetada. Quando a notícia pipocou, nas redes sociais, imaginei que a MPAA estivesse sensibilizada com o massacre de Isla Vista, em que um adolescente perturbado atirou em diversos colegas da Universidade de Santa Bárbara, matando seis deles e morrendo a seguir. Desde sexta-feira (23), dia da tragédia, que os noticiários americanos –ou californianos– só têm um assunto.

Os assassinatos despertaram novamente o debate sobre a facilidade na venda de armas nos Estados Unidos. Discussão, me desculpe o cinismo, que não dará em nada, apesar do pai de uma das vítimas discursar emocionado que “Not One More” deve ser morto. O lobby da indústria bélica americana é o mais poderoso do país ao lado das empresas de energia. Mais poderoso que o próprio pavor do terrorismo aéreo. Como o comediante inglês John Oliver bem disse em seu programa, no início da semana: “Bastou uma tentativa falha de esconder uma bomba no sapato e todos nós precisamos tirar os sapatos nos aeroportos. 31 massacres nas escolas aconteceram desde Columbine e não há mudanças na regulação das nossas armas de fogo.”

Fui inocente em achar que a MPAA se importaria com algo assim. Eles estavam chocados com a possível imagem de um (ou dois) mamilo(s) no pôster. A arma, imagina, não tem nada demais. Sinceramente, eu admitiria feministas gritando contra a exploração da sensualidade da atriz ou mães preocupadas com os impulsos hormonais provocados pela visão de Eva Green. Mas a mesma associação que acha genocídios explícitos menos preocupantes do que a quantidade de “fucks” ou “assholes” pronunciados em um filme?

Não se engane, passo longe de ser um defensor dos filmes-pollyanna, onde o mundo é lindo e todo mundo é lindo. Vibro com Tarantino no seu modo psicopata e não vejo nada demais nos atos vis de personagens de “Game of Thrones” (uma dica: vilões servem para cometer atos vilanescos e, quanto mais horrorosos, mais você vibrará na hora do troco do herói). Mas questiono essa hipocrisia do órgão que regulamenta o cinema americano –com os cinco grandes estúdios por trás dele, claro.

Em primeiro lugar, porque não vejo “mamilo” nenhum exposto. “Sin City 2: A Dama Fatal” é um noir em que a única coisa real são os atores. O resto é todo digital ou retocado digitalmente. Nos quadrinhos, a personagem Ava Lord é muito mais sensual e perigosa. E o roteirista/desenhista Frank Miller sempre ressaltou os mamilos e as curvas de sua femme fatale, usando sombras e deixando a imaginação do leitor funcionar. Ava usa os homens ao seu prazer. Sabe que é linda e coloca os homens de joelhos com sua beleza manipuladora. Nada diferente das anti-heroínas do cinema noir dos anos 1940, alvo das homenagens de Miller no seu longa/graphic novel.

Mas estamos chegando a um mundo onde a beleza pode ser ofensiva ao ponto de ser retirada dos cinemas –um pôster com Marlene Dietrich passaria incólume hoje? Logo seremos um filme de Michael Haneke: puros fora das quatro paredes e verdadeiros pervertidos dentro delas, sem válvula de escape. Passar a imagem de bondade, castidade e honestidade é uma obrigação em tempos de redes sociais online –e de seus vigias. Uma saída para o boteco com seus amigos mais próximos, pelo visto, virará quase uma terapia, onde finalmente poderemos extravasar opiniões erradas, comentário extremos e piadas ofensivas.

Claro que tudo isso ainda pode ser uma jogada esperta do diretor Robert Rodriguez. Produtor, dono de canal de TV, cineasta, roteirista, compositor, montador e supervisor de efeitos especiais, ele não é estúpido. Certamente sabia que o cartaz causaria controvérsia (talvez não a decisão extrema da MPAA) e ainda fez questão de divulgar o material proibido em seu twitter, sem reclamar da censura.

A MPAA não passa de uma bela piscina de hipocrisias, procure ver nos cinemas, em algum trailer de um filme americano, uma cena com sangue vermelho jorrando. Não preto, azulado ou amarelado: vermelho. Impossível, porque a MPAA só aprovará a promoção caso a cena violenta não seja “realista”. A saída dos cineastas, que sabem que violência vende como nudez, é esconder o sangue, transformando a cor –deixando “mais fantasiosa” e “enganando” os fiscais.

Uma saída, então, para “Sin City 2: A Dama Fatal”, que estreia no Brasil em 11 de setembro: coloquem sangue respingado na camisola de Eva Green, principalmente em seus seios.

Afinal, sexo é imoral. Já a violência…

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