PM prende suspeitos de vandalismo em ato que fechou a Fernão Dias


A Polícia Militar diz ter prendido “cerca de 90 pessoas” suspeitas de vandalismo, depredações e saques durante protesto na região do Jaçanã, na Zona Norte de São Paulo, nesta segunda-feira (28). Ainda segundo balanço divulgado pela corporação pouco antes das 22h, uma pessoa foi baleada na Avenida Milton Rocha por um grupo que realizava roubos em lojas.

No mesmo ato, grupos bloquearam a Rodovia Fernão Dias às 18h40. A interdição, que ocupou ambos os sentidos, permanecia afetando três faixas no sentido Belo Horizonte por volta das 22h30. Ao menos cinco ônibus, três caminhões e um carro foram incendiados na estrada ou em ruas próximas.

Segundo a PM, a pessoa ferida nesta noite levou um tiro no peito e passava por cirurgia, por volta das 20h50, no Hospital São Luiz Gonzaga. A PM diz que o atingido era um pedestre que passava pela avenida quando um grupo realizava saques em uma loja.

Morte levou a protesto
Os crimes desta segunda ocorreram após protestos contra a morte do estudante Douglas Rodrigues, assassinado por um policial militar no domingo (27). O soldado responsável pelo disparo foi indiciado por homicídio culposo (sem intenção de matar), mas foi preso por determinação da Polícia Militar (PM). O advogado do policial alega que o disparo foi acidental.

A morte do estudante já tinha levado a protestos na noite de domingo na mesma região. Três ônibus foram incendiados, alem de lojas e bancos depredados.

Nesta segunda, os atos de vandalismo se concentraram na Rodovia Fernão Dias. Caminhões foram saqueados e incendiados. Grupos também protestaram em ruas da Zona Norte. Lixeiras foram danificadas e objetos foram incendiados em vias da região, como a Avenida Edu Chaves. Com medo de saques, comerciantes já tinham fechado as portas mais cedo nas imediações da Vila Medeiros.

As manifestações se intensificaram no fim da tarde, após o enterro do estudante. Depois de o grupo ter ateado fogo aos primeiros caminhões, a Polícia Militar chegou ao km 86 da Fernão, onde os manifestantes se concentravam.

De acordo com o Jornal Nacional, o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella, entrou em contato na noite desta segunda-feira com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para articular uma ação integrada nesta região da cidade, já que a Fernão Dias é uma rodovia federal.

Policial detido
O policial militar Luciano Pinheiro, de 31 anos, preso por suspeita de matar Douglas Rodrigues, alega que o tiro que atingiu o estudante foi acidental. O policial militar havia sido “autuado em flagrante delito por homicídio culposo (quando não há a intenção)”. Ele foi detido por determinação da corporação.

A família diz que o adolescente passava com o irmão de 12 anos em frente a um bar da Rua Bacurizinho, esquina com a Avenida Mendes da Rocha, quando um policial militar que chegou ao local para averiguar uma denúncia atirou.

Na noite de domingo, o incidente gerou um violento protesto por parte de moradores da Vila Medeiros, que incendiaram três ônibus, atiraram pedras em veículos e destruíram lixeiras e telefones públicos neste domingo.

A Força Tática da PM precisou recorrer a bombas de gás lacrimogêneo e a disparos de balas de borracha para dispersar os manifestantes. Duas agências bancárias da Avenida Roland Garros também foram danificadas, além de um carro da polícia apedrejado.


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