Como viver em um mundo cada vez mais desigual?


Li recentemente um dado perturbador na revista Retrato do Brasil, comandada pelo experiente jornalista Raimundo Rodrigues Pereira.

As 400 pessoas mais ricas dos Estados Unidos possuem uma riqueza equivalente à da metade da população mais pobre daquele país, ou algo em torno a 130 milhões de adultos. Como conviver com uma cifra dessas? Daqui 200 anos, o que dirão os historiadores de nossa Era? Que papel cumpriria no mundo esses 400 americanos que detêm, cada um deles, patrimônio superior a US$ 1,5 bilhão? Como lidar com estes contrastes?

Como viver em um mundo cada vez mais desigual
Imagem:HernánPiñera/Flickr

A estatística foi citada na resenha feita pela revista do livro O Capital no Século XXI, do economista francês Thomas Piketty. Lançada no ano passado com grande repercussão, a obra de Piketty aponta que está em curso um aumento extraordinário da desigualdade econômica nos países centrais do capitalismo (EUA e Europa).

Piketty sintetizou essa tendência em uma fórmula: r>g, em que ‘r’ representa a taxa de retorno anual de riqueza (ou capital) e ‘g’ a taxa de crescimento econômico (ou a taxa de aumento na renda nacional). Para resumir: a concentração de riqueza se expande mais rapidamente do que a renda. Embora a tendência de concentração de riquezas sob o capitalismo não seja de hoje, esta se intensificou na nossa “era financeira”.

Ao ler os números trazidos pela Retrato do Brasil fiquei pensando sobre o tempo, a história e a existência.

A acumulação de riquezas não é uma invenção do capitalismo. Reis, Rainhas, Imperadores, sob diferentes regimes econômicos e sociais, já colecionaram muitos tesouros, terras, domínios. Em uma comparação despropositada, é possível imaginar, até, que a seu tempo Césares, Napoleões e Alexandres Magnos tenham manipulado tanto poder e riqueza quanto qualquer um dos 400 bilionários americanos.

OK, mas qual o sentido da acumulação atual sob o capitalismo, na qual o dinheiro é um valor em si? Até onde isso vai? Haveria um limite?

César, Napoleão e Alexandre (o Grande) terminaram seus dias no exílio, na traição ou em batalhas na Ásia central. Que desfecho aguarda os semi-deuses atuais, esses quase-anônimos que manipulam cifras, movimentam dígitos, fazem,enfim, o mundo girar em torno a suas espetaculares riquezas? E principalmente: como se comportará a plateia diante do show?

Por @rogerjord – Siga-me no twitter! (@rogerjord)

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